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Prêmio CP - 29/09/2016
Fotolia XII / Fotolia
27/09/2011 - 12h47
Aumenta em 79% a presença de mulheres nos balcões e salões
Bares e restaurantes cariocas reconhecem o valor e o potencial das colaboradoras



O mercado carioca de bares e restaurantes é um dos filões mais prósperos para mulheres que estejam buscando emprego na cidade. Empresários e consultores de recursos humanos da área afirmam que, muitas vezes, preferem contratá-las aos homens, devido a características como maior dedicação e simpatia para lidar com o público.

Pesquisa recente do economista Mauro Osório para o Sindicato de Bares, Hotéis e Restaurantes do Rio (SindRio) mostra que aumentou em 79% o total de trabalhadoras no setor, entre 2000 e 2010 - bem mais do que os 31% de crescimento dos homens. O total de funcionárias passou de 22 mil para 40 mil. Segundo Osório, o resultado do estudo está de acordo com o aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho, de forma geral.

"Como o setor de bares e restaurantes está crescendo mais do que as demais atividades, nas principais capitais do país, é natural que suba a quantidade de mulheres trabalhando neste setor", explica. A expansão do setor se deve à melhoria da distribuição de renda e ao aumento do salário mínimo.

No Rio desde 2001, a rede Une & Duo de padarias, cafeterias e lanchonetes express hoje conta com 75% de mulheres em cada loja. Segundo o diretor da rede no estado, Eguiberto Rissi, a empresa dá preferência a elas no processo seletivo.

"A cada três homens que saem da equipe, entra uma mulher. Nós nos sentimos seguros na contratação de mulheres, pela estabilidade que elas proporcionam e por lidarem melhor com o público, e apostamos nelas para aumentar nossas vendas", diz Rissi.

Devido à grande exposição ao público, a empresa ministra um treinamento para que as funcionárias não fiquem expostas a cantadas e a piadas machistas. Entre as diretrizes, explica Rissi, está a proibição de adicionar clientes em redes sociais. Outro critério é que as ligações para funcionárias, feitas durante o expediente, são dirigidas à gerência da casa e somente são repassadas nos casos que envolvem familiares, por exemplo. Da mesma forma, cartões de visita recebidos por elas são entregues à chefia da loja.

"Nós explicamos a elas que devem ter uma postura íntegra, respeitosa, mas não ríspida. Já vimos clientes pedindo telefone da loja para pedidos, e, na verdade, queriam falar com as moças", conta o diretor. "Utilizamos estas técnicas também para preservar a segurança das funcionárias".

O Lapa 40° também contratou mais mulheres nos últimos anos. Segundo o sócio da casa, Michel Salgado, o quadro de funcionários hoje conta com quatro mulheres (duas bartenders e duas garçonetes), em vez de uma, quando inaugurou, há quatro anos.

"Como observamos que as mulheres costumam ter um bom desempenho, passamos a contratá-las mais. Percebemos uma simpatia e um capricho maior das mulheres no atendimento", afirma Salgado.

Embora a função seja a mesma, Salgado afirma que sabe que elas estão mais sujeitas ao assédio masculino:

"Nós instruímos todos os funcionários, inclusive elas, a levar cantadas na brincadeira, e fugir desse tipo de situação. É normal acontecer isso num ambiente de bar ou pub, mas o que importa é a postura da pessoa diante disso."

Exemplo desta mão de obra é a bartender Lucíula Martins, do restaurante chinês Mr.Lam. Há cinco anos na casa e há oito no setor, ela foi eleita a melhor bartenderdo ano, pelo Guia da Danusia Barbara de 2010. Lucíula conta que faz cursos e recebe treinamento para fazer os drinques."Eu adoro o que faço. Estudo, corro atrás. E os clientes costumam achar interessante e curioso uma mulher fazendo drinques. Nunca tive problemas com assédio", conta.

Para Carla Riquet, coordenadora de formação e qualidade do SindRio, o setor de gastronomia está sendo mais procurado pelas mulheres porque caiu o mito de que é melhor empregar homens neste segmento.

"Os empregadores viram que esse antigo mito não tem razão de ser. Pelo contrário: as mulheres, por uma questão cultural, estão mais habituadas a lidar com este tipo de serviço", comenta. Outro fator que contribuiu foi a mudança de processos dentro dos bares e restaurantes, que não exigem mais tanta força física.


Fonte: O Globo - 23/09/2011
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