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Prêmio CP - 29/09/2016
19/12/2013 - 15h17
Casas usam tuk-tuk tailandês, táxi e motorista para atrair clientes
O trânsito complicado nas grandes cidades e a lei seca têm feito com que alguns empresários invistam em transporte gratuito, ou com desconto, para atrair clientela.


Além das tradicionais vans, há restaurantes que apostam no tuk-tuk (veículo típico asiático) e no pagamento de táxi como cortesia para quem consome bebida alcoólica.

Para especialistas, o serviço pode atrair mais clientes, principalmente moradores de outros municípios ou Estados que não sabem se locomover na cidade, ou aqueles que gostam de beber e não poderiam dirigir após ingerir bebida alcoólica.

No entanto, segundo eles, é preciso avaliar se o aumento de consumidores no estabelecimento paga os gastos extras gerados pelo serviço. 

Tuk-tuk circula pelas ruas de São Paulo desde novembro

O empresário Cyro Sá, 59, é o dono do restaurante tailandês Tian. Ele não revela números, mas diz que a iniciativa de buscar e levar clientes no bairro do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo (SP), com um tuk-tuk (nome popular para o riquixá) fez aumentar o movimento no restaurante, inaugurado em maio deste ano.

O transporte como veículo iniciou em novembro. Desde então, segundo ele, muitas pessoas que passam em frente ao restaurante param para tirar fotos e querem saber como podem andar com o tuk-tuk.

Sá é casado com a tailandesa Marina Pipatpan, que é chef de cozinha do restaurante. O casal morou durante 13 anos na Tailândia e se considera divulgador da cultura do país no Brasil.

´´A Tailândia é conhecida como a terra dos sorrisos e o tuk-tuk é um símbolo dessa alegria e beleza. Meu objetivo, ao usar um tuk-tuk, é trazer um pouco dessa magia e diversão para os paulistas´´, declara.

O veículo só circula pelo bairro do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, onde está localizado o restaurante. Sá diz que é comum os clientes ligarem de casa ou do trabalho e pedir para o tuk-tuk ir buscá-los.

Também é possível pará-lo na rua e pegar carona, se estiver vazio. O serviço não tem custo e só pode ser usado por clientes do restaurante.

O tuk-tuk tem capacidade para três passageiros, incluindo o motorista, é movido a gasolina e atinge até cerca de 50 km/h, segundo o empresário. Sá diz que adquiriu o veículo de um fabricante nacional e que o investimento foi alto, por ter sido personalizado, mas não revela valores.

Segundo a fabricante Motocar, um veículo deste tipo sem personalização tem o preço sugerido de R$ 12.900 nas concessionárias. O veículo já é homologado pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e, para dirigi-lo, é necessário ter carteira de habilitação para moto.

De acordo com Marcelo Sinelli, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo), a iniciativa é interessante, pois oferece uma experiência ao consumidor.

´´O tuk-tuk é típico da cultura tailandesa, assim, o cliente já vai entrando no clima antes mesmo de chegar ao restaurante. É uma maneira de inovar´´, afirma.

Lei seca e atração de turistas motivam oferta de transporte

Renato Dabroi, gerente da churrascaria Vento Haragano, também de São Paulo (SP), diz que o estabelecimento possui três vans que buscam clientes em hotéis e em empresas da região de graça. Elas levam cerca de mil pessoas por mês à churrascaria, segundo Dabroi.

´´Dessa forma, conseguimos atrair clientes de fora da cidade e facilitamos a vida de quem não sabe se locomover em São Paulo´´, declara.

Já no restaurante italiano Maurizio Gallo, em Belo Horizonte (MG), os clientes que consumirem duas garrafas de vinho grandes ganham R$ 20 para ajudar a pagar a corrida de táxi. A iniciativa surgiu após a lei seca, para evitar que pessoas alcoolizadas dirijam.

Segundo Gallo, o volume de clientes aumentou, principalmente nas noites de sexta-feira.

Empresários deve avaliar resultados para evitar prejuízo, diz consultor

Sinelli diz que é importante avaliar o resultado da ação, para calcular se ela está dando retorno ou prejuízo, afinal, disponibilizar um veículo com motorista implica em custos para o negócio. 

´´É importante calcular se o serviço de transporte aumentou o número de clientes do restaurante e se o volume é suficiente para cobrir esses gastos extras. Se não for, o empresário deve estudar aumentar um pouco o valor de cada prato´´, diz.

Segundo o consultor, é importante avaliar a logística da ação e, se for o caso, delimitar a área de atuação, para evitar que o veículo fique preso no trânsito, por exemplo. Ele também diz que medir os resultados é importante para avaliar a demanda pelo serviço.

´´Se houver muito mais gente interessada do que o veículo é capaz de transportar, a iniciativa pode gerar insatisfação nos clientes e transtornos ao restaurante.´´

Além disso, segundo Sinelli, é importante oferecer segurança, conforto e rapidez aos passageiros, inclusive aos do tuk-tuk.

´´O empresário tem de se precaver contra eventualidades. Se tiver trânsito e o veículo ficar parado, os passageiros estão sujeitos a assaltos? Se chover, eles se molham? Se o pneu furar, o motorista sabe trocar? É necessário pensar em tudo isso.´´

Fonte: UOL - 17/12/2013

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