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Prêmio CP - 29/09/2016
24/10/2013 - 09h58
Acostumado a ´má qualidade´, brasileiro consome pouco café nobre
Para receber essa classificação nobre, os grãos são colhidos e selecionados de acordo com cor, tamanho e sabor.


O Brasil é o maior produtor e exportador de café, e o segundo maior consumidor do produto no mundo. Porém, das 47 milhões de sacas previstas para a safra de café neste ano, somente 5 milhões são considerados especiais ou gourmet, segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). 

Para receber essa classificação nobre, os grãos são colhidos e selecionados de acordo com cor, tamanho e sabor. Também é levado em conta o local de produção, e até mesmo preocupações de ordem ambiental e social, como as condições de trabalho.

´´Os brasileiros estão acostumados a consumir café de péssima qualidade´´, afirma o agrônomo e consultor José Mario Jorge, 55, que presta consulta técnica a produtores de café há 30 anos no interior paulista.

Para ele, a produção brasileira, tradicionalmente, se pauta pela quantidade, comercializada como commodities, e não pela qualidade.

Mercado de cafés especiais esbarra no baixo consumo

Das estimadas 20 milhões de sacas de café consumidas no mercado interno, apenas 1,5 milhão é de cafés especiais, calcula Fernando Augusto Vicentini, 43, sócio da Três Irmãos Armazéns Gerais, empresa de Altinópolis (SP).

´´Estamos muito abaixo do padrão europeu, no qual os cafés especiais representam 60% da bebida consumida´´, afirma.

Essa limitação do consumo dos grãos especiais no Brasil está relacionada ao baixo poder aquisitivo da maioria da população e à falta de oportunidade para as pessoas provarem café de qualidade. ´´Quem aprecia está geralmente nas classes de maior poder aquisitivo.´´

Acesso a informação pode alavancar vendas

Para Durval Fukuda, 28, produtor de café de Patos de Minas (415 km de Belo Horizonte), a demanda pelo café de qualidade ainda é baixa, mas tem crescido graças ao aumento do poder aquisitivo da população.

Para ele, falta informação para alavancar ainda mais o consumo de cafés nobres.

´´É preciso explicar por que o café na xícara vale R$ 7. Quem paga por isso precisa saber como esse café foi produzido´´, afima.

Produzir café especial requer investimentos

A fazenda Baú, da qual Fukuda é diretor executivo, produz, em média, 35 mil sacas do grão por ano. Quase toda a produção (97%) é exportada para o Japão. O restante é comercializado principalmente em São Paulo.

A produção de grãos nobres traz uma rentabilidade entre 100% e 150% maior para o produtor. Porém, exige cuidados especiais. ´´Requer uma dedicação intensa e muitos investimentos´´, diz Fukuda.

Fonte: UOL - 24/10/2013

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