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Prêmio CP - 29/09/2016
Fotolia / Africa Studio
15/05/2013 - 14h58
Empresas acirram disputa pelo mercado de sucos naturais nos EUA
Sucos frescos atraem consumidores e investidores do setor



Para encontrar um símbolo de como a indústria dos sucos mudou rapidamente nos Estados Unidos, basta olhar dentro da sala de engarrafamento da fábrica BluePrint, em Nova York.

Não muito longe de uma correia transportadora e cubas de néctar brilhante recém-extraído de beterrabas, você verá um aparelho de fazer sucos Norwalk do tamanho de um forninho elétrico. Há sete anos, em uma cozinha de buffet, Zoe Sakoutis e Erica Huss começaram a BluePrint com nada mais do que aquele humilde eletrodoméstico.

Elas o mantêm por perto e, se era para ser um amuleto da sorte, considere-o eficaz. Hoje, Sakoutis e Huss, ambas na faixa dos 30 anos, têm duas fábricas (a outra fica em Los Angeles), dezenas de funcionários e uma parceria multimilionária firmada em dezembro com o Hain Celestial Group.

Você pode achar garrafas transparentes da BluePrint na famosa loja Whole Foods ou na lanchonete da esquina, e a companhia está arrecadando mais de US$ 20 milhões por ano.

Meia década atrás, a maioria das pessoas que bebia enormes quantidades de suco —não suco de laranja do mercado, mas sim algo denso, prensado e feito à base de vários ingredientes como couve, beterraba, gengibre, espinafre e couve-rábano— era de fanáticos por comidas cruas ou de celebridades de Hollywood que acreditavam que uma ´´limpeza com sucos´´ iria levar seus corpos tonificados para ainda mais perto da perfeição.

 

Mas, ao longo do tempo, mais pessoas começaram a bebê-los. E consumidores e empresários fizeram uma descoberta: sucos não precisam ser parte de uma limpeza desafiadora e cara. Eles poderiam simplesmente ser o almoço. De repente, sucos frescos se transformaram de uma curiosidade para o setor.

O Starbucks adquiriu sua própria linha, a Evolution Fresh. Danny Meyer, a força por trás da Shake Shack e de restaurantes como o Union Square Cafe, criou o Creative Juice, para ser vendido em algumas academias Equinox e lojas independentes. Em Nova York, grandes investidores estão despejando dinheiro em cadeias locais como a Organic Avenue, que tem nove lojas e quer ter o dobro dentro de 18 meses, e a Juice Press, que tem nove lojas e planeja abrir outras dez até o final de 2014.

O dinheiro que as empresas têm investido, como o Hain fez ao comprar a BluePrint, despertou uma corrida para o ouro empresarial.

Poderiam os melhores sucos conquistar a América como os melhores cafés fizeram? Investidores de capitais de risco estão contando com isso.

´´Estamos falando de uma quantia séria de dinheiro aqui´´, disse Danielle Charboneau, de 29 anos, que, em 2010, fundou a Juice Maids, um serviço de entrega em domicílio em Los Angeles que ela fundiu no início deste ano com a Juice Served Here, uma cadeia de lojas prestes a abrir. ´´É por isso que todo mundo está entrando no negócio de sucos: porque em cinco anos eles querem vender o negócio por uma centena de milhões de dólares´´.

A disputa tem um pouco do espírito que rondava as empresas ponto.com nos anos 90. E enquanto muitos dos prospectores reunidos ao redor dessa corrente de lucros espessa e com cor de alga têm um brilho saudável na pele, eles podem ser tão ferozmente competitivos quanto os tubarões do Vale do Silício.

´´Não há mais ninguém nessa indústria que entenda a ciência da nutrição da forma como eu entendo´´, disse Marcus Antebi, ex-lutador de Muay Thai que abriu a Juice Press em 2010. ´´Não há competição. Eu comecei porque não havia ninguém que tivesse o produto que eu ficaria contente em comprar. Todos eles tinham falhas terríveis´´.

Mas o que todos os envolvidos nessa nova onda dos sucos têm em comum (e o que distingue o produto deles das bebidas doces à venda nas lojas de sucos não naturais) é um processo meticuloso, antiquíssimo, chamado prensagem a frio.

As frutas e vegetais são moídos até virarem pasta, colocados em uma bolsa impermeável e, então, são apertados com uma pressão enorme, de modo que praticamente toda gota viscosa de suco escorra, deixando uma polpa que é quase seca.

Alguns fanáticos por suco gostam de espalhar a ideia de que a prensagem a frio é muito melhor do que usar uma centrífuga mais rápida porque o produto não é ´´cozido´´ por lâminas rotatórias aquecidas. Esse calor, dizem eles, neutraliza alguns dos nutrientes e ´´enzimas vivas´´ que fazem o suco atraente.

Mas Antebi, que já testou sua teoria na Juice Press, disse que isso é uma ´´ideia errônea´´, porque as lâminas podem se aquecer durante a fase inicial de pulverização na prensagem a frio também. A real vantagem da prensagem a frio , disse ele, é que ela joga quase todas as gotas de néctar para fora da fibra, produzindo uma bebida densa com cor, sabor e nutrientes.

Assim como muitos de seus colegas magnatas, Antebi, de 44 anos, não sofre de falta de confiança. Sua filosofia: ´´A maneira de deixar as pessoas obcecadas pelo produto é criando o produto mais biologicamente perfeito´´.

A ideia, disse Antebi, é que a Juice Press manufature o produto no mesmo dia em que você provavelmente irá beber.

´´Meus competidores estão me ajudando se não estiverem mais vendendo um suco feito há quatro horas´´, disse ele. ´´Eles estão dizendo: ´Aqui está uma garrafa de suco de 12 dólares que pode ter mais de dois dias de vida´.´´

Embora Antebi não tenha dado nomes aos bois, ele estava se referindo a empresas —a maioria em busca de distribuição internacional— que usam um processo chamado processamento a alta pressão, ou HPP (sigla de ´´high pressure pascalization´´). Quando o suco fresco passa pelo HPP, ele pode durar mais de três semanas na prateleira da loja, e não apenas poucos dias.

Claro, quando o suco é menos perecível, é mais fácil vender maiores quantidades em lugares distantes. Mas muitos defensores do produto ´´recém-fabricado´´ zombam do HPP, a que eles, às vezes, (erroneamente) se referem como ´´high pressure pasteurization´´ (´´pasteurização de alta pressão´´).

´´É realmente pura enganação´´, disse Alex Matthews, de 36 anos, executivo-chefe da Juice Served Here. ´´Basicamente o que você está fazendo é apenas aquecer todos os micronutrientes e enzimas vivas que existem em todas as frutas e legumes´´.

As empresas que optam pelo HPP dizem que muitas das críticas equivalem a ataques e a uma tentativa de confundir o consumidor. O processo ´´foi uma mudança de curso para nós´´, disse Sakoutis da BluePrint, e as pessoas que não a usam (a técnica) frequentemente não conseguem entendê-la.

´´Não é pasteurizado´´, Sakoutis disse. ´´Isso significa aquecer. Eles são só pressurizados´´.

Matthew Kenney, chef aclamado de comidas cruas, vem criando pratos com sucos frescos há anos, e, recentemente, começou a oferecer elixires em seu estande de lanches M.A.K.E Out, em Santa Monica, Califórnia. Quanto aos sucos, ele diz que não é, necessariamente, fã de "algo embalado em plástico" durante dias ou semanas.

´´Se você está viajando, é, definitivamente, uma opção melhor do que beber refrigerante´´, disse ele. ´´Eu só não acho que é algo que possa ser comparado a uma coisa feita na hora´´.

A equipe da BluePrint nunca escondeu seu desejo de levar o suco para as massas, e de fazê-lo com um produto que não tenha gosto de água parada do lago.

´´Só porque é verde não significa que seja nojento´´, Sakoutis disse. ´´Isso é algo que muitas pessoas ainda precisam entender´´.


Fonte: The New York Times
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