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Prêmio CP - 29/09/2016
Fotolia / Corbis
06/05/2013 - 10h36
´Não é abuso aumentar o preço em um restaurante´, diz professor
Apesar de manifestações online, estabelecimentos em São Paulo não devem abaixar preços



O paulistano mudou de hábitos e colocou bares e restaurantes na sua rotina. Essa mudança de comportamento aumentou a demanda pelo serviço e explica a disparada de preços da alimentação fora de casa, conclui o professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP) Heron do Carmo, que coordenou por 25 anos o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe.

Enquanto a inflação oficial subiu 6,59% nos últimos 12 meses até março, o custo de comer fora subiu 10,3% no período. ´Não é questão de custo. É a demanda por restaurantes que subiu mais que a oferta.´

Em entrevista ao O Estado de S.Paulo, o professor Carmo falou mais sobre o assunto.

 

O que explica o aumento de preços nos bares e restaurantes de São Paulo?

O preço que os comerciantes estão cobrando é questão de oferta e demanda. A demanda está aquecida, então, os preços subiram. E não é porque a economia está crescendo. É porque houve uma transformação na sociedade.

Que transformação?

As famílias estão menores, a mulher participa mais do mercado de trabalho e o desemprego está baixo. Todos esses fatores levam as pessoas a demandar mais por alimentação fora de casa, mesmo em famílias de baixa renda.

A subida do custo dos alimentos justifica os aumentos?

Não é a principal causa. O preço dos alimentos tem subido, mas ele oscila ao longo do ano. Na categoria de alimentos como um todo, que inclui industrializados, derivados de leite e carne, a tendência é que o preço suba abaixo da inflação. O que sobe acima são algumas frutas e verduras, porque dependem do clima e pode haver falta de oferta.

A alta de preços é exclusividade dos restaurantes?

Não. A alimentação fora de casa reflete o cenário dos serviços como um todo. A satisfação pessoal está cada vez mais associada ao consumo de serviços do que de produtos, o que puxou os preços. O preço de almoçar fora subiu na mesma proporção que a escola, a consulta médica ou a empregada doméstica.

Qual o limite para a alta dos preços?

Não tem limite. É quanto a pessoa quer pagar. O restaurante de um chef badalado é relativamente pequeno para o mercado de São Paulo. Quando ganha prestígio, sobe o preço. E ainda tem fila na porta.

É abuso?

Não é abuso. É mercado.

O que pode segurar os preços?

Aumentar a oferta. O número de restaurantes cresceu, mas não acompanhou a expansão da demanda. Faltam restaurantes em São Paulo.


Fonte: O Estado de S. Paulo - 05/05/2013
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