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Prêmio CP - 29/09/2016
Ariel da Silva Pereira / Stock.XCHNG
04/04/2011 - 11h37
Radiação não afeta restaurantes japoneses em SP, dizem donos
Grupo com 50 lojas afirma que serve aos clientes só produtos nacionais. Dono de adega diz que vai importar de áreas não afetadas pela radiação.



As medidas adotadas pelo governo brasileiro para controlar, a partir de segunda-feira (4), a importação de produtos provenientes de províncias atingidas pela radiação nuclear no Japão não vão afetar o atendimento aos clientes dos restaurantes japoneses em São Paulo, afirmam donos de restaurantes, adegas e distribuidoras ouvidos pelo G1.

Logo após o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão, eles recorreram a outros fornecedores, antevendo a dificuldade de importação. Por isso, os proprietários de estabelecimentos que dependem de produtos japoneses acreditam que as medidas de controle anunciadas nesta sexta-feira (1º) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não irão afetar seus negócios.

Com 50 restaurantes e fast-foods japoneses no país, 40 deles em São Paulo, o grupo Gendai informou que usa apenas produtos nacionais e atualmente não importa nenhum produto do Japão. O grupo recorre a outros mercados asiáticos sempre que precisa importar produtos. No caso das algas, por exemplo, elas vêm da Coreia do Sul. A maioria dos produtos presentes no cardápio é de produção nacional.

Saquê

Dono da Adega do Sake, uma loja na Liberdade que vende 450 garrafas de 750 ml de saquê por mês, o empresário Alexandre Tatsuya Iida disse ao G1 que vai seguir à risca a recomendação da Anvisa e buscar saquê em províncias do Sul japonês. Ele afirma que a restrição não o surpreende - ele mesmo já buscava alternativas -, mas acrescenta que confia nas autoridades japonesas.

“Se uma coisa pode oferecer risco, eles restringem e não liberam a importação. No que vier para cá, a gente confia. A gente vai comercializar.” O empresário acredita que o estoque atual e o já embarcado com destino ao Brasil serão suficientes para dar conta do fornecimento este ano. Ele acredita que se houver problemas, isso deve ocorrer apenas no ano que vem.

“O problema é a safra de 2012, porque o arroz (matéria-prima para a produção do saquê) está sendo plantado hoje. Por isso, quanto antes o governo japonês ou autoridades nucleares derem aval, dizendo que não coloca em risco a população, melhor”, afirmou. Ele calcula que as regiões afetadas demandarão algum tempo para reconstruir sua infraestrutura - estradas e energia elétrica - para voltar a produzir e exportar.

Segundo Alexandre, a desconfiança do público é grande, mas ele busca mostrar aos clientes que não há risco, porque os produtos à venda em sua loja chegaram ao Brasil ou saíram do Japão antes do terremoto. “Tem cliente que chega aqui e fica perguntando: ‘Será que não é arriscado?’. Eu explico: ‘Minha senhora, isso aqui veio meses atrás. Também não vou vender coisa duvidosa’”, afirmou.

Iida afirma que ele próprio fará o monitoramento de seus fornecedores, por meios convencionais e pelas mídias sociais.

“Consumidores de saquê podem ficar tranqulios porque vamos direcionar toda a compra para as províncias que não foram afetadas. O Centro-Sul do Japão tem bons saquês e temporariamente vamos comprar desses fabricantes. A gente vai acompanhar os fabricantes para saber como reagem aos efeitos do terremoto”, afirmou.

Produtos industrializados

Gerente da distribuidora Murakai, Luiz Carlos Zapala afirma que a preocupação de quem vive no negócio é menor do que as notícias sugerem.

“Acho que não vai complicar a importação. Não sabemos ainda quanto tempo a Anvisa vai precisar para liberar as cargas, mas não teremos problemas. Nós não acreditamos que vai haver restrição de produtos ou a importação de produtos contaminados. Sem dúvida o governo japonês será rigoroso no controle dos produtos que são exportados.”

Murakai admite que alguns produtos registraram alta nas últimas semanas, porque a distribuidora teve de comprar produtos de outros distribuidores que tinham esses produtos em estoque.

“Depois do terremoto houve uma corrida para comprar os produtos japoneses. Muitos ficaram com receio de faltar, mas sem necessidade.”

Patrícia Carvalho Cilurzo, que trabalha na administração da Casa Bueno, espera algum aumento nas dificuldades práticas. “Quando o conteiner chega já é difícil de liberar, imagine agora? Atualmente leva cerca de três meses desde que é feito o pedido até que uma mercadoria chegue até a loja. Esse prazo deve ficar ainda mais longo. Eles ainda não sabem explicar quais serão os critérios de fiscalização por isso a gente ainda não sabe o quanto vai prejudicar. Mas, que vai prejudicar, vai.”

Assim como o importador de saquê, ela tem de explicar para alguns consumidores que produtos como as algas marinhas chegaram ao Brasil antes do tsunami no Japão.

“Há consumidores que já perguntam se os produtos estão estragados (com radiação), principalmente em relação às algas marinhas, mas a gente explica que esse produto foi importado antes do terremoto. O que houve foi um aumento nas vendas de produtos com prazo de validade mais longo logo depois do terremoto. Quem comprava dez wasabi comprou cem para deixar no estoque. Não acredito que corremos o risco de comprar mercadoria contaminada”, afirmou.


Fonte: G1 - 02/04/2011
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